E aí que eu finalmente resolvi viajar. Pensei, em detalhes, que tipo de viagem gostaria de fazer e logo me veio à cabeça: Peru! Mais especificamente: Machu Picchu. O local sempre me aguçou a curiosidade. Afinal de contas, como os incas conseguiram construir toda aquela cidade há tanto tempo?

Bem, isso que eu fui tentar descobrir. A viagem durou cinco dias (pois passaria mais outros cinco dias em Santiago, no Chile). Por isso, tive que pensar, detalhadamente, o que eu mais queria fazer e conhecer.

peru_uros_island_boat_28Roteiro definido. Passagens compradas. E lá fomos nós para a viagem. Saímos de São Paulo direto para Lima, onde ficamos apenas para uma conexão a Cusco. Chegando na cidade, que é ponto principal de quem vai para Machu Picchu, confesso que achei um pouco feia (mas a maioria das entradas das cidades não são bonitas, certo?).

Centro cultural e histórico

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Plaza das Armas

No aeroporto já decidimos comprar o passeio para o Vale Sagrado e fechar o taxi para nos levar até o hotel. O preço foi bem acessível: 50 soles (a moeda do Peru se chama Novo Sol). Ao chegarmos no centro histórico de Cusco (local onde, normalmente, ficam todos os hotéis), parece que entramos em outra cidade. Muita arquitetura bonita e estrangeiros andando pra lá e pra cá.

201512_1442_ccccd_smFicamos no hotel chamado Rojas. Simples, porém bastante limpo. Ah! E o café da manhã era muito bom. Vale a pena ficar por lá. Está muito bem localizado. Mas vamos falar da cidade. Ruas de pedras (não são paralelepípedos) e uma praça central, chamada Plaza das Armas. Por lá, muitos restaurantes, baladas, bares e lojas.

Chegamos no sábado e a altitude não foi problema. Claro que senti o fôlego fica um pouco comprometido (subir as escadas do hotel com a mala foi um pouco difícil), mas não sentimos nenhum tipo de enjoo ou dor de cabeça.

Caso isso aconteça contigo, tem folha de coca em todos os lugares pra você mastigar, ou até mesmo um chá com a erva. Mas, para quem é bem precavido como eu, a dica é comprar na farmácia local o remédio chamado Sorotipil. Ele ajuda a reduzir os sintomas da altitude.

Gastronomia cusquenha

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Plaza das Armas

À noite, a cidade estava movimentadíssima de turistas e nativos. Todos misturados na mesma felicidade (uns pelo fim de semana e, outros, pelas férias). Vale explorar cada ruazinha de Cusco. São muitos monumentos históricos e arquiteturas impressionantes.

Na hora de comer, esqueça os fast foods da vida, a melhor maneira de conhecer ainda mais a cidade em que se está visitando é por meio da gastronomia. Por isso, fomos até um restaurante chamado Don Marcelo. Sim, meu querido leitor, a maioria dos restaurantes em Cusco tem nomes italianos (e servem muitas pizzas e massas).

Eu preferi procurar algo mais típico (carne) com arroz e batatas (também bastante típico da região). Estava perfeito! E alimenta muito bem. Saiu 35 soles.

Ao sairmos do restaurante, o frio estava pegando. Sim! Em setembro ainda é período de ventos gelados, mas eles aparecem no comecinho da manhã e à noite (madrugada). Deu ainda para entrar em uma igreja (ia acontecer um casamento por ali) e algumas lojinhas típicas.

E por falar em casório, a maioria dos matrimônios acontecem na Plaza de Armas. São muitas fotos (lindas) naquele espaço que eu já elogiei aos montes.

Vale Sagrado

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Parque Arqueológico Pisaq

Dormimos cedo, pois no outro dia pegaríamos o ônibus para a excursão rumo ao Vale Sagrado. Nesse roteiro são apresentados três sítios arqueológicos construídos pelos incas, principalmente para a agricultura.

Conhecemos apenas dois locais, pois achamos melhor pernoitar mais perto de Machu Picchu e chegar mais rapidamente até a cidade que, atualmente, é patrimônio mundial. A nossa primeira parada foi em Pisaq.

O local é bastante famoso pelas ferinhas de artesanato. Aliás, foi onde eu encontrei os souvenirs mais bonitos e bem feitos e, claro, mais caros também. Por lá dá para pagar com cartão de crédito, caso não queira usar dinheiro. (Eu, particularmente, aconselho usar dinheiro em toda a viagem, pois, nessas cidades pequenas, as maquininhas de cartão não costumam funcionar muito bem).

img_3705Mas, voltando a falar da ruína inca de Pisaq: ela fica localizada no alto de uma montanha, por isso, é preciso muito fôlego e forças nas pernas para subir. Em uma espécie de escadas construídas na montanha, os incas conseguiram, com esse formato, fazer com que o solo absorvesse todo o calor durante o dia e, à noite, mesmo com o frio de tremer os dentes, a terra conseguia manter a temperatura, o que ajudava na melhor plantação de cereais e tubérculos.

bdd8e3_a7d0585f48b9497ba15e8b4278895356Além disso, em alguns pontos do sítio arqueológico, é possível ver os túmulos descobertos. Alguns dizem que os esqueletos ainda estão por lá. Eu não consegui visualizar isso, mas o fato é que os incas eram enterrados por ali e isso mostra a dimensão e a quantidade de pessoas que circulavam nesse local.

Almoço e Ollantaytambo

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Cidade de Ollantaytambo

Antes de irmos para o segundo sítio arqueológico, paramos para comer. Em Urubamba existem vários restaurantes típicos e cada agência de turismo seleciona um local (ou você mesmo pode ir por conta própria).

Quase todos os restaurantes têm a mesma pegada: self-service. A comida é bem típica (algumas coisas eu não consegui identificar e achei melhor não arriscar). Mesmo assim, tudo o que eu coloquei no prato estava muito gostoso e bem temperado. Para acompanhar: cerveza cusceña (é a marca típica do local, todo mundo bebe).

img_3746Fim do almoço e todos para dentro do ônibus rumo à segunda etapa do passeio. Em Ollantaytambo temos uma pequena vila e o sítio arqueológico. O local é ainda mais bonito e mostra todo conhecimento em engenharia que os incas possuíam.

Ali também pudemos ter a oportunidade de ver um trio de llamas (que não paravam de comer). Uma de cada cor. São lindas e não estavam nem um pouco interessadas no bando de turistas que insistiam em tirar selfies com elas (eu fui um deles).

Pernoite em Ollantaytambo

img_3771Antes da viagem decidimos não voltar para Cusco e pegar o trem para Machu Picchu na estação de Ollantaytambo. Por isso, o grupo seguiu viagem rumo ao terceiro sítio arqueológico e, nós, ficamos por lá mesmo.

Chegando no hotel Rojas, fomos muito bem recepcionados e ficamos em um quarto enorme. Já no check in perguntaram o horário que iríamos pegar o trem. Como resolvemos estar na primeira hora (6 da manhã), o hotel separa parte do café da manhã para levarmos e comermos no trem ou na espera pelo embarque.

Achei isso bem interessante, pois o meu receio era exatamente o de ficar com fome e ainda ter que andar muito em Machu Picchu. Então, o ponto alimentação já estava resolvido. Fomos andar pela cidade e conhecer a pequena Ollantaytambo.

Com ares de cidade do interior (que ficou parada no tempo), não existe semáforo no local e os carros devem ser conduzidos por um guarda que fica em um ponto da rua principal em que só passa um carro por vez (e é mão dupla). Jantamos em um restaurante típico e voltamos pro hotel. Afinal de contas, no dia seguinte, acordaríamos às 5 horas da manhã para pegar o trem às 6 horas.

Next stop: Machu Picchu

img_3872Do hotel até a estação de trem são menos de 10 minutos a pé. E tem muitos turistas fazendo o mesmo caminho, por isso, não tem como errar. Na ida, pegamos o trem da empresa Inca Rail. Ele é um pouco mais simples (sem janelas no teto), mas, mesmo assim, dá para curtir o visual, que é incrível.

O ponto final do trem é em Águas Calientes. De lá para Machu Picchu é com ônibus (ou van). Existem dois quiosques em que você pode comprar o ticket (fizemos isso). A venda rola em dólar ou soles.

funny_baby_picture_177Ao chegarmos em Machu Picchu, vários guias tentam vender o passeio guiado. Funciona da seguinte maneira: se você quiser uma visita personalizada (só você ou seus amigos) custa 50 soles para cada. Agora, se topar juntar outros turistas, sai 30 soles para cada.

Eu sugiro que você negocie e aceite a proposta. Isso porque, se optar por ir sem guia, não entenderá absolutamente nada sobre a história dessa cidade linda e instigante. Além disso, escolha a opção com grupo, pois sempre alguém faz uma pergunta interessante e você conhecerá ainda mais da história.

Bem, o que falar de Machu Picchu: a cidade realmente impressionada por toda estrutura e inteligência dos incas. A sua localização é o que mais me deixou perplexo, afinal de contas, como eles chegara até lá? Ninguém soube responder essa questão.

img_3876O fato é que, por estar tão alta e escondida, a cidade não foi encontrada (e destruída) pelos espanhóis que desbravavam as terras peruanas. No dia em que fomos, o sol estava de rachar, por isso, o melhor é separar uma garrafinha de água, óculos escuros e protetor solar. Se puder, leve uma barrinha de cereal para quando bater uma fominha.

Vale a pena percorrer cada cantinho daquela cidade. Se tiver disposição, após o tour guiado – que dura 2 horas – você pode caminhar por outros trechos que não foram apresentados pelo profissional. Confesso que não fiz isso, pois o tour termino às 12 horas e sol estava realmente de rachar.

img_3928Descemos para a saída da cidade e fomos almoçar. De lá, decidimos descer para Águas Calientes e dar uma volta pela cidade. Paramos em um simpático bar (onde o garçom falava em português e nos ganhou no grito) e tomamos um pisco sour (bebida típica peruana). No fim do dia, pegamos o trem Vistadome, da PeruRail, de volta até Cusco.

Nesse trem, é servido um jantar e tem algumas atrações, como músicas, danças e um desfile de roupas masculinas e femininas típicas. Você pode até comprar, caso tenha se interessado por algo. É bem bacana.

Última visita: Lima

Bairro de Miraflores, em Lima
Bairro de Miraflores, em Lima

A minha viagem por Peru já estava quase chegando e faltava a parada final: Lima. Ficamos no bairro de Miraflores, que concentra os melhores hotéis e restaurantes. Ficamos no Casa Suyay. A entrada parece uma casinha de vovó e as recepcionistas estão sempre dispostas a te ajudar (em inglês ou espanhol).

Bem, andamos bastante pela cidade. Percorremos o bairro todo, conhecemos a costa (Oceano Pacífico) e fomos até o Pescado Capitales para comer o verdadeiro ceviche. Confesso que, ao chegar no restaurante, fiquei com medo de chegar um prato com porção minúscula. Mas fui muito bem surpreendido.

Ceviche, do Restaurante Pescados Capitales
Ceviche, do Restaurante Pescados Capitales

O ceviche veio na medida certa. E ainda com uma pequena porção de milho típico peruano (ele é um pouco maior e menos amarelo em comparação ao que estamos acostumados). Tudo muito perfeito e só de falar fico com água na boca.

img_3984Por fim, já a noite, fomos até o Parque das Águas. É um espaço enorme com vários monumentos de água que dançam conforme a música que está tocando. É lindo! Depois, nos embrenhamos ainda mais pelo bairro de Miraflores e encontramos algumas ruazinhas com restaurantes e bairros bem típicos. Maravilha para fechar a viagem com chave de ouro.

Conclusão sobre o roteiro

A viagem foi incrível. Acho que poderíamos ter ficado mais um dia em Cusco e mais um ou dois dias em Lima (assim, daria para ter conhecido absolutamente tudo). Mas valeu a pena o suor, o sol a pino na cabeça. Afinal de contas, pudemos estar bem perto e entender um pouco da cultura inca.

11-day-best-of-peru-tour-from-lima-andean-highlights-and-machu-picchu-in-lima-228378Se você curte esse tipo de viagem mais aventureira, não perca tempo: planeje suas próximas férias para o Peru. Você vai adorar (eu garanto).


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