Às vezes, mesmo seguindo todo o protocolo de alongamento e aquecimento, o nosso corpo pode sofrer algum problema e acabamos com dores, ou até mesmo, lesões. É triste, eu sei, e ninguém quer passar por esse tipo de apuros, ainda mais se tiver que ficar alguns dias sem treinar.

Mas, mesmo assim, é sempre bom a gente ficar sabendo de novos procedimentos que estão sendo realizados por aí, não é mesmo? E a novidade é a chamada Crioterapia. “A técnica utiliza baixas temperaturas para tratar disfunções inflamatórias e traumáticas, principalmente agudas. Isso para reduzir o edema, além de induzir ao relaxamento muscular”, foi o que me explicou Michele Sanches, esteticista da Clínica Daniel Dziabas.

Como Funciona

crioterapiaA crioterapia pode ser feita de duas maneiras: com aplicação de temperaturas baixas diretamente na lesão, ou então, com o ato de submergir todo o corpo (do pescoço para baixo) em uma cabine bastante fria.

A ação de congelar o local pode destruir lesões, tanto benignas quanto malignas. “É considerado um método rápido, seguro e eficaz, usado principalmente para remoção de lesões benignas (por exemplo, verrugas, queratoses seborréicas), lesões pré-malignas e até tumores de pele, raramente malignos”, conta Andréia Munck, dermatologista.

De acordo com Maurício Garcia, coordenador do setor de fisioterapia do Instituto Cohen e fisioterapeuta do Centro de Traumatologia do Esporte da Unifesp, a pele deve chegar a temperatura de 13,8ºC para obter os benefícios terapêuticos. Parece muito baixo, mas é dessa maneira que tudo funciona (lembra daquelas banheiras de gelo que os atletas usam? A técnica é bem parecida, porém, com mais tecnologia).

E a ciência aprova a crioterapia: um ensaio clínico analisou os efeitos analgésicos da técnica em 70 pacientes no pós-operatório de ombro. “Chegou-se à conclusão de que aqueles submetidos à temperatura da aplicação considerada confortável (entre 7,2 e 13ºC), apresentaram menor dor, maior satisfação e conforto e conseguiram dormir melhor”, conta Garcia.

Resultados Animadores

Como a técnica provoca uma vasoconstrição nos tecidos danificados ou solicitados em excesso que estão inflamados, vermelhos, quentes, inchados e dolorosos, acaba por diminuir a circulação no local na pele. “Com o resfriamento, o fluxo sanguíneo local acaba ficando mais lento, o que diminui a hemorragia decorrente da lesão, e assim consegue restringir a área do trauma evitando lesões piores”, esclarece Michele.

Quando ocorre essa vasodilatação, a esteticista conta que diminui o extravasamento de líquido no tecido, contendo o edema. “O outro efeito do resfriamento do tecido é a diminuição do metabolismo celular, fazendo com que as células trabalhem lentamente, inclusive as células nervosas e os receptores de dor, o que leva ao maior controle dos estímulos dolorosos, proporcionando resultados analgésicos”, acrescenta.

E tem mais: a crioterapia acaba por ajudar a controlar a dor da inflamação e prevenir que o processo inflamatório chegue de forma exagerada.

Contraindicação

É interessante saber que a crioterapia não pode ser feita em qualquer pessoa. Pelo contrário. Situações em que o corpo é incapaz de lidar com mudança de temperatura por causa de alergia, hipersensibilidade, ou insuficiência circulatória não são indicadas o uso.

Já as contraindicações da crioterapia estética incluem: doenças de pele como urticária, infecções, gravidez, após uma cirurgia, doença do sistema imune, doenças do coração e câncer. “Optamos em realizar este procedimento em pessoas com peles claras, já que uma das complicações da técnica é a destruição dos melanócitos que estão presentes no local da lesão e próximo a ela, resultando em manchas brancas, chamadas máculas hipocrômicas”, alerta Andréia.

Sua Pele Agradece

E não é somente as dores e lesões que podem ser tratadas com a crioterapia, mas também a saúde da sua pele. Afinal de contas, o método trata lesões decorrente da exposição solar e, muitas vezes, pré-malignas. Assim como melhora esteticamente a pele, pois também trata manchas e queratose (pequenas marcas ásperas na derme.

“No caso do paciente ter manchas na pele de grau importante, ou seja, que apresente lesões resultantes de exposição solar intensa, podem trata-las frequentemente com crioterapia. A visita ao dermatologista para esses tratamentos pode variar de 2 meses a 6 meses. Tudo irá depender da gravidade de cada caso”, afirma Andréia.

E Marília Barboni Luz, fisioterapeuta dermato-funcional da L&L Espaço Vida ao Corpo, acrescenta: “a crioterapia cosmética deve ser feita 10 sessões, duas vezes na semana. A criofrequência, que utilizamos um equipamento para realizar o resfriamento do tecido, deve ser feita 3 sessões.”

Resumo

Deu para perceber que a técnica é bastante interessante, principalmente para aquelas lesões que causam dores constantes. Já que a crioterapia, além de reduzir o edema, também diminiu a sensação dolorida.

Então, caso você esteja com alguma lesão, que tal procurar um fisioterapeuta – ou dermatologista, no caso estético – e conversar com ele sobre a técnica? Eu fiz um resumão sobre as principais benfeitorias da técnica. Veja só:

  • Redução da dor, por meio de analgesia (efeito analgésico).
  • Contenção do processo inflamatório e do edema.
  • Restrição da área do trauma.
  • Redução do espasmo muscular.
  • Diminuição do metabolismo celular.
  • Luxações.
  • Melhora a tonicidade da pele.
  • Ajuda a combater a flacidez.
  • Melhora a aparência da celulite.

Bom, agora já sabe: caso sofra alguma lesão, corra atrás da crioterapia e verifique se ela é realmente a melhor opção.

 


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