Já faz algum tempo que o glúten, uma proteína encontrada principalmente em alimentos derivados de grãos ou da farinha de trigo, da cevada, do centeio e outros, vem chamando a atenção de todos.

Diversos especialistas têm dito que a substância faz muito mal às pessoas. Mas, o meu primeiro questionamento diante disso é: “porque antigamente não se falava dessa substância?”

A resposta: “Ao longo dos anos, a produção de trigo sofreu diversas alterações, para que fosse aumentada e rendesse mais. Porém, durante essa evolução, o trigo sofreu modificações genéticas que, na época, não foram testadas se trariam malefícios à saúde humana”, explica Thaís Barca de Moraes, nutricionista e pós-graduada em nutrição aplicada ao exercício físico.

Porém, recentemente, um estudo realizado na Universidade de Agricultura da China, mostrou que houveram alterações importantes na proteína do trigo e, conclui-se que as variedades modernas desse alimento apresentam maior quantidade de gliadina, proteína associada à doença celíaca e outros distúrbios imunológicos.

Glúten em evidência

A partir daí, o glúten passou a fazer parte da rotina de revistas e sites que tratam o assunto. Afinal de contas, de acordo com Erika Almeida Mesquita, nutricionista e pós graduada em nutrição clínica funcional, o alto e frequente consumo de alimentos ricos em farinha de trigo, centeio, cevada, aveia e malte está relacionado ao desenvolvimento da alergia tardia ao glúten ou hipersensibilidade à proteína.

“Os sintomas são variados e incluem desde diarreia, constipação intestinal, alteração tireoidiana, problemas respiratórios, alterações na pele, enxaqueca, depressão, sensação de inchaço, aumento da gordura abdominal, emagrecimento, dificuldade de ganho de massa muscular, entre outros”, acrescenta a nutricionista.

É, meu caro, essa é a chamada Doença Celíaca. Então, quando os efeitos colaterais são tão evidentes assim, basta retirar do cardápio os alimentos com glúten para que a vida seja muito melhor.

Para os atletas

Porém, existem pessoas que são sensíveis a essa proteína. O que isso quer dizer? Que esse grupo não sofre como os celíacos, mas, sem perceber, pode estar passando por situações típicas da sensibilidade ao glúten.

104858706_Bolt-Eats-Taco-SPORT-xlarge_trans++qVzuuqpFlyLIwiB6NTmJwbbWRM_CcXSfsPysHYy9P5g“Muitos pacientes percebem que, ao tirar essa proteína do cardápio, vão embora as inflamações e edemas. Isso reduz a retenção de líquido nos tecidos, e consequentemente os inchaços, então a definição muscular aparece”, esclarece Mohamad Barakat, médico nutrólogo.

Está vendo o que eu disse? Às vezes, nem sabemos o motivo pelo qual sentimos o intestino cheio de gases, ou então aquela retenção líquida. E tudo isso pode ser por conta do glúten. “Se você o retira e tudo isso melhora, então, tem algum problema com o glúten que precisa ser investigado”, alerta Barakat.

Além disso, Carolina Paz, nutricionista esportiva da Clínica Helena Costa, no Rio de Janeiro, afirma que a prática de atividades físicas intensas leva a um aumento da permeabilidade intestinal, ou seja, a barreira intestinal fica mais “aberta”, aumentando as chances de desenvolver algum tipo de sensibilidade ao glúten, principalmente quando há ingestão excessiva de alimentos que contêm a substância.

“Nesse caso, é comum os atletas sentirem alguns sintomas (além dos já citados), como cansaço excessivo e queda no rendimento, lesões de repetição, dores de cabeça e nas articulações”, explica.

Faça o investigador

investigarNão estamos aqui batendo o pé e afirmando que você tem que retirar essa proteína de uma vez por todas do seu cardápio. Mas, sim, investigar se ela pode ou não estar prejudicando a sua performance.

“Muitas das sensibilidades causadas por esses alimentos são de resposta tardia e o paciente não associa que esta pode ser a causa”, conta o nutrólogo. Por esse motivo, Barakat indica a seus pacientes um prazo de 30 dias sem o glúten. Isso para avaliar se a proteína, de alguma maneira, é inflamatória ao organismo.

“Se nesse período a pessoa perder peso, desinchar, sentir alívio de enxaqueca, por exemplo, se agregar valor à sua saúde, é porque aquele glúten, de alguma maneira, lhe roubava saúde”, conclui.

O único alerta vem da endocrinologista, Mariana Farage. Ela me contou que a restrição ao glúten, além de tornar a dieta monótona, é difícil de ser seguida e pode ser acompanhada do aumento da ingestão de carboidratos de alto índice glicêmico, como tapioca, batata ou demais gorduras.

“Além disso, no caso de atletas, estes devem ingerir altas quantidades de carboidratos complexos para ter energia e a restrição ao glúten limita essa ingestão”, afirma.

Você também pode

E saiba que não existe efeito colateral nenhum ao retirá-lo de uma vez. Agora, se após o período de 30 dias sem o glúten, não houver nenhuma alteração orgânica, pode reintroduzi-lo na alimentação, só que de maneira moderada, sem exagerar. “Porque o problema maior não é o glúten, mas o excesso do consumo, já que o nosso organismo não está adaptado a isso”, explica Barakat.

Digo isso, pois o glúten é uma proteína que está presente em muitos alimentos que consumimos. Alguns exemplos: pães, bolos, biscoitos, massas, pizzas, tortas, cereais matinais, molho branco, molhos prontos para salada, gérmen de trigo, semolina e extrato de malte.

“Até mesmo algumas bebidas alcoólicas contêm glúten, como é o caso das cervejas que levam cevada ou trigo em suas formulações”, afirma Carolina. E entre os cereais, a aveia também leva o aviso de “contém glúten” na embalagem.

“Apesar de não ter essa proteína, e sim uma similar (a avenina), a aveia pode conter traços de trigo, cevada e centeio por ser armazenada e transportada em locais por onde passaram esses cereais”, esclarece a nutricionista.

Cardápios glúten free

faça o investigadorFicou interessado em fazer o teste dos 30 dias sem glúten? Então, confira os dois cardápios criado por Carolina Paz exclusivamente para o Royal Fashionist.

CARDÁPIO 1

Café da manhã

1 tapioca com 2 ovos mexidos

1 copo (300 ml) de água de coco

Lanche da manhã

1 iogurte natural desnatado com salada de frutas

Almoço

1 prato (fundo) de salada de alface e tomate

Brócolis cozido (a vontade)

1 filé de frango acebolado

1 batata doce assada com alecrim

Lanche da tarde

Frutas desidratadas (ex.: damascos secos ou ameixas secas)

1 punhado de nuts (castanha-de-caju, amêndoa, avelã, macadâmia, amendoim, castanha-do-Pará)

Jantar

1 prato (raso) de massa sem glúten ao molho bolonhesa

Ceia

1 pêra

CARDÁPIO 2

Café da manhã

2 fatias de pão sem glúten com queijo cottage

1 copo (300ml) de suco natural (abacaxi/ melão/ melancia)

Lanche da manhã

10 ovos de codorna cozidos

Almoço

1 prato (fundo) de salada de rúcula

1 cenoura ralada

Repolho roxo refogado (a vontade)

1 Filé mignon grelhado

1 aipim cozido

Lanche da tarde

Creme de abacate com banana (Bater no liquidificador ou mixer: ¼ abacate + 1 banana + 1 col. chá de cacau em pó)

Jantar

1 filé de peixe grelhado ou assado

Cogumelos refogados (a vontade)

Purê de batata baroa

Ceia

1 maçã

 

Receita para finalizar

receitaE achou que eu não ia surgir com uma receitinha daquelas caprichadas pra você incluir em algum dia do cardápio? Então, dá uma olhada na sugestão da nutricionista Erika Almeida Mesquita.

Protein Bar

Ingredientes:

½ xícara (chá) de amêndoas trituradas e peneiradas

½ xícara (chá) de farinha de coco peneirada

1 xícara (chá) de açúcar de coco

½ xícara (chá) de proteína de arroz

1 xícara (chá) de pasta de amendoim integral

2 colheres (sopa) de óleo de coco extra virgem

½ xícara (chá) de leite de arroz

Modo de preparo:

Em um recipiente coloque todos os ingredientes secos e reserve. Coloque o óleo de coco e a pasta de amendoim em uma panela e leve ao fogo baixo para derreter. Desligue. Despeje a mistura sobre os ingredientes secos e mexa até obter uma massa homogênea. Forre uma forma retangular pequena com papel manteiga e coloque a massa. Com o auxílio de uma colher, pressione a massa até ficar lisa, uniforme e cubra toda a forma, porém sem deixá-la fina. Leve ao refrigerador por 40 minutos. Retire do congelador e corte no formato de barrinhas. Mantenha sob refrigeração.

Faça o teste

Eu, de verdade, recomendaria a você ficar esse um mês sem consumir glúten. E, depois disso, me conta como foi. É uma maneira de identificar a sensibilidade ou não à proteína.


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