Ela tem um sabor característico. É dar uma mordida e vem aquela ardência. Algumas pessoas adoram, já outras odeiam. E assim vive a pimenta. Claro que não são todas que deixam a língua queimando, mas existe sim um certo preconceito contra a vermelhinha (que pode ser verde ou amarela).

O fato é que, se consumida da maneira correta e em boas preparações, a pimenta pode ser uma aliada e tanto para a saúde (e também para quem quer derreter a gordura que insiste em aparecer na pancinha).

“Diversos estudos têm apontado que a pimenta, tanto do gênero piper (pimenta-do-reino) como do capsicum (pimenta vermelha), tem qualidades farmacológicas importantes”, foi o que me contou Thaís Barca de Moraes, nutricionista clínica e esportiva.

Ela disse que essas pesquisas têm mostrado que a capsaicina e a piperina (substâncias encontradas na pimenta) promovem uma série de atividades biológicas e fisiológicas, como função antioxidante, prevenção do câncer, anti-inflamatória, elevação do metabolismo basal e manutenção da gordura corporal.

E não para por aí. A pimenta também tem efeito analgésico, antibacteriano, alivia os sintomas da rinite aguda, ação contra a artrite reumatóide, contra o colesterol alto, auxílio na liberação de endorfina (melhora o humor), na desobstrução dos vasos sanguíneos e no controle da glicemia (açúcar no sangue). “Portanto, o uso de pimentas pode ajudar na prevenção e tratamento de algumas doenças”, conclui Larissa Leandro da Cruz, nutricionista.

É vitamina pra dar e vender

chili-peppersIsso mesmo, meu amigo. Muitas riquezas estão por trás das pimentas, principalmente quando o assunto são vitaminas. Por ser fonte de vitamina A, o alimento pode contribuir para a melhora da imunidade, atua no paladar, crescimento e visão. Tudo isso porque a vitamina está relacionada com muitos processos fisiológicos ligados a proliferação e diferenciação celular.

“A vitamina C, também presente na pimenta, é um excelente antioxidante. Ela ainda é precursora do colágeno, uma proteína tão desejada por homens e mulheres por estar relacionada a saúde e beleza da pele. Além disso, a vitamina C pode auxiliar na absorção do ferro presente nos alimentos de origem vegetal”, explica Bruna Lyrio, nutricionista da Clínica Tostes, no Rio de Janeiro.

Já a vitamina B6 funciona como coenzima nas sínteses de aminoácidos, e esta correlacionada com a ingestão de proteínas (ponto para nós que queremos a hipertrofia). Só fica o alerta para não consumir somente a pimenta. É preciso incluir no cardápio outros elementos (também fontes dessas e outras vitaminas), para atingir a quantidade diária recomendada.

E ainda tem minerais

Achou que parava por aí a lista de benefícios? Muito pelo contrário! Ainda tem muito mais. Você vai se surpreender. Agora, entramos na lista dos minerais: magnésio, potássio e ferro. O magnésio é um mineral que está envolvido na ativação de inúmeras enzimas.

“Ele é fundamental para a formação de serotonina (melhora humor, reduz ansiedade, irritabilidade, nervosismo e hiperatividade) e muito importante para a saúde óssea, para a contração muscular, para prevenção das doenças cardiovasculares, diabetes e enxaqueca”, conta Larissa.

O potássio é um nutriente fundamental para equilibrar a acidez sanguínea, ele altera a transmissão neural, a contração muscular e o tônus vascular. Quando há deficiência de potássio, observa-se fraqueza muscular, câimbras, fadiga, alterações cardíacas e apatia mental.

“Já o ferro é essencial para manutenção dos glóbulos vermelhos, além de reduzir as chances da anemia. Juntos, esses minerais no corpo também ajudam a reduzir risco de câimbras (associado ao consumo adequado de água)”, acrescenta Thaís.

Para emagrecer

Chegamos a outro ponto bastante interessante: as pimentas são capazes de contribuir no processo de perda de peso. De acordo com Camila Rodrigues, nutricionista do Acqua Brasil Spa, no Rio de Janeiro, a benfeitora disso tudo é a capsaicina, que é capaz de acelerar o metabolismo do nosso organismo, facilitando a queima de gordura.

O que acontece é que ela aumenta a temperatura (termogênese) e, para dissipá-la, o organismo gasta mais calorias, sendo estimado que cada grama do alimento faça o corpo gastar cerca de 45 calorias.

Além disso, a pimenta ajuda na saciedade. “O alimento estimula a liberação de noradrenalina e adrenalina no sistema nervoso, que atuam na diminuição do apetite. Sem esquecer que o condimento ativa a colecistoquinina, que também está relacionada à saciedade”, aponta Thaís Moraes.

Coração forte e imunidade a mil

coracao forteE não é que a ardidinha é poderosa, mesmo? Acrescentar o condimento em diversas receitas (que combine, claro) ajuda também a baixar as concentrações de colesterol LDL, o “colesterol ruim” e pode diminuir os coágulos no sangue por ter ação vasodilatadora. “Portanto, pode diminuir o risco de hipertensão, infarto e outras doenças cardiovasculares”, aponta Larissa da Cruz.

É o nosso coração ainda mais forte para podermos continuar firmes na musculação e aeróbico sem medo de futuros problemas. Mas claro que para seguir no ritmo de exercícios, junto com a rotina de trabalho, a imunidade precisa estar preparada para enfrentar qualquer tipo de problema que apareça (queda de temperatura, vírus e bactérias pelo ar, etc).

Mas não é que a danada da pimenta também ajuda nisso? Impressionante! Graças às vitaminas que já citamos, mas vamos reforçar novamente. A vitamina A – substância conhecida pela capacidade de anti-inflamatória, que auxilia na manutenção da mucosa, fortalecendo o sistema imunológico – e a vitamina B6, que aumenta a imunidade geral do organismo.

“O consumo de pimenta também estimula a secreção de muco, melhorando quadros de alergias respiratórias, como rinites e sinusites. Como se sabe, a pimenta também é fonte de vitamina C, que aumenta a produção das células de defesa, que tem efeito direto sobre as bactérias e vírus aumentando assim a sua a resistência a infecções”, esclarece Thaís.

Diabetes e câncer de próstata

diabetesAté contra doenças perigosas a pimenta está aí, lutando para que o nosso corpo esteja sempre saudável. O que demonstra isso são estudos que já comprovaram as propriedades nutricionais da capsaicina na capacidade de estimular o processo digestivo e acelerar a absorção de glicose, que pode ajudar no tratamento da diabetes.

Já um estudo publicado na Revista Cancer Research, indicou que tumores localizados na próstata tratados com essa mesma substância apresentaram cerca de um quinto do tamanho de tumores não tratados.

“A constatação é de que a capsaicina reduz a produção de PSA, uma proteína fabricada em número elevado pelos tumores de próstata. Além disso, a substância também diminui o crescimento de tumores associados à testosterona”, explica Andréa Romero, professora de nutrição na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

A professora conta que é necessário consumir em torno de três a oito pimentas-vermelhas frescas, três vezes por semana para atingir os resultados apresentados no estudo. “Os pesquisadores trabalharam com o extrato de uma pimenta mexicana com teor maior de capsaicina, conhecida como habañero”, diz. Já anotando o nome para comprar no supermercado!

Escala de ardência

Sim, querido leitor. Achou que eu não colocaria aqui quais são as pimentas mais ardidas? Isso é para você poder escolher a melhor de acordo com o seu gosto. Thaís Moraes me disse que a chamada “Escala de Scoville” (ou “Unidades de Calor Scoville” – SHU) é utilizada para medir o grau ou nível de ardência e pungência das pimentas.

Veja só:

Escala Tipo de pimenta
0 Pimenta biquinho
100 – 500 Pimentão picante
500 – 1000 Pimenta Anaheim
600 – 800 Molho tabasco
1.000 – 1.500 Pobiano
1.500 – 2.500 Rocotilo
2.500 – 8.000 Jalapeño
5.000 – 10.000 Pimenta de cera
7.000 – 8.000 Habañero tabasco
10.000 – 23.000 Serrano
30.000 – 50.000 Pimenta de caiena
50.000 – 100.000 Malagueta e pimenta tailandesa
100.000 – 200.000 Pimenta-da-Jamaica
100.000 – 350.000 Habañero do Chile
350.000 – 577.000 Habañero (Red savina)
876.000 – 970.000 Dosert Naga
855.000 – 1.041.427 Naga jolokia

 

E sobre a quantidade de pimenta para o consumo (sem envolver a questão do câncer de próstata), todos os profissionais afirmam que não existe nenhum estudo a respeito e que isso vai depender de pessoa por pessoa. Só não pode ultrapassar o consumo 3 a 4 vezes por dia.

E é bom seguir o meu conselho, pois caso role um exagero, além do incomodo pela ardência, pode-se agravar situações de gastrites, ulceras e outras doenças gástricas. “No caso da ingestão excessiva numa ocasião esporádica o melhor para aliviar a ardência, é o consumo de um pedaço de pão”, ensina Andréa Romero.

Receitas apimentadas

Bem, agora é colocar todo esse aprendizado em prática. De que maneira? Com as receitas que eu separei (com a ajuda das nutricionistas, claro). Confira!

Azeite turbinado

Ingredientes:

1 xícara (chá) de azeite de oliva extravirgem

2 dentes de alho picados

1 colher (chá) de suco de limão

Pimentas selecionadas à sua escolha

Modo de preparo:

Retire as sementes e os talos das pimentas. Refogue o alho no azeite até ficar levemente dourado. Coloque as pimentas em um vidro de conserva, deixando um espaço livre de 2 cm. Aqueça 1 xícara (chá) de azeite. Enfie o cabo de uma colher no meio das pimentas e abra um buraco. Despeje o azeite quente lentamente, para que penetre. Complete o pote com azeite até atingir 0,5 cm da boca e tampe bem firme. Deixe esfriar naturalmente. Conserve na geladeira.

 

Rolinho vietnamita

Rendimento: 12 rolinhos

Valor calórico por porção: 185 Kcal

Ingredientes:

12 discos de massa de arroz (para rolinho primavera)

10 camarões cinza limpos

100g de filé de porco em tiras finas

1 pepino japonês ralado (ralo fino)

½ xícara de broto de feijão

100g de macarrão de arroz fino

1 cenoura média ralada (ralo fino)

1 pimenta dedo-de-moça picada

½ unidade de cebola roxa picada

1 dente de alho picado

Manjericão fresco picado (a gosto)

Hortelã fresca picada (a gosto)

2 colheres (sopa) de óleo

1 colher (sopa) de açúcar mascavo

2 colheres (sopa) de molho de soja

Modo de preparo:

Em uma panela, aqueça o óleo e refogue o alho e a cebola. Acrescente a carne de porco e cozinhe por cerca de 3 minutos. Junte o pepino, a cenoura e o macarrão e o broto de feijão. Cozinhe por mais cerca de 3 minutos. Acrescente os camarões, e mexa todos os ingredientes em fogo alto até que os camarões fiquem cozidos. Coloque a pimenta, o molho de soja, o açúcar mascavo e as ervas picadas. Corrija o sal, caso necessário. Misture bem e deixe esfriar.

 

Molho

Ingredientes:

Suco de 4 limões

1 colher (sopa)de gengibre picado

2 pimentas dedo-de-moça picadas

1 colher (sopa)de molho de ostra

1 colher (sopa) de molho de peixe fermentado

2 colheres (sopa) de açúcar

Amendoim torrado: cerca de 100 g

Água (se necessário)

 

Modo de preparo:

Em uma caçarola, misture o açúcar, o suco de limão, o molho de ostra, o molho de peixe, o gengibre e a pimenta picada. Leve para cozinhar por 5 minutos. Acrescente água, se necessário. Remova do fogo e deixe esfriar. Acrescente o amendoim picado.

 

Montagem

Hidrate a massa do rolinho, uma a uma, em água quente (rapidamente, para que ela não quebre). Retire da água, e disponha sobre uma toalha de pano limpa. Coloque o recheio, e feche dobrando as pontas para dentro para que o rolinho não se abra, e apertando para não deixar folgado. Sirva com o molho.

 

Pasta ao molho malagueta

Rendimento: 4 porções

Valor calórico por porção: 261,9kcal

Ingredientes:

400g de massa tipo penne ou fusilli

2 dentes de alho esmagados

50g de queijo parmesão ralado

2 pimentas malagueta

400g de tomates sem pele e sem sementes cortados em cubos

3 colheres (sopa) de salsinha picada

1 colher (sopa) de azeite de oliva

Modo de preparo:

Em uma panela, aqueça o azeite e refogue bem os dois dentes de alho esmagados. Adicione a pimenta malagueta picada (ou em pó). Junte os tomates e cozinhe-os por 5min, até que fiquem bem macios. Acerte o sal. Enquanto isso, cozinhe o macarrão em água fervente e sal. Escorra e misture diretamente na panela com o molho. Acrescente a salsinha picada e misture a massa por mais 1min. Salpique queijo parmesão ralado (ou parmesão) e sirva.

Sua saúde agradece

Já escolheu quais receitas irá fazer? Se eu fosse você, faria todas! Assim, você coloca mais pimenta no seu dia a dia e ganha muito mais saúde. Eu garanto!